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A importância da audição no desenvolvimento das crianças

por Silmara Fator Canassa, fonoaudióloga


É através da audição que somos capazes de desenvolver a nossa linguagem e também a fala para posteriormente iniciar o aprendizado escolar. Sabendo do tanto que a audição contribui, fica fácil entender como o seu papel durante o desenvolvimento de uma criança é crucial.


Não é incomum que crianças que possuem perda auditiva ainda não diagnosticada sejam rotuladas como distraídas ou preguiçosas para se comunicar, pois muito depende da sua audição, por isso o diagnóstico precoce também é muito importante para o seu desenvolvimento. E não é só uma perda auditiva profunda que causa prejuízos , crianças com otites de repetição passam vários períodos de seu desenvolvimento ouvindo menos e consequentemente sendo prejudicadas no desenvolvimento. Lembrando que nem sempre a otite vem acompanhada de dor.


Geralmente os responsáveis só irão notar dificuldades quando a criança iniciar a vida escolar e ai procuram uma avaliação auditiva, nesses caso será importante além de avaliar as condições periféricas da audição com a audiometria tonal, vocal e imitanciometria, avaliar também as condições de processamento auditivo central, pois uma das causas bem comuns nos pacientes com TPAC (transtorno do processamento auditivo central ) são as otites de repetição na primeira infância.

Outro ponto importante para atestar como a audição é determinante no desenvolvimento das crianças é que a ausência ou diminuição de estímulos nos primeiros anos de vida dela pode trazer uma série de problemas na aprendizagem e socialização, o que pode os afetar comportamental e emocionalmente para o resto da vida.

Para entender melhor, é preciso entender que o aprendizado da linguagem e fala acontece dentro de certos parâmetros. Do nascimento até os 3 meses de vida, a criança acorda com ruídos mais fortes e reage a sons muito altos ou repentinos, normalmente piscando ou arregalando os olhos. Por essa idade o bebê é capaz de reconhecer a voz da mãe e se acalma ao ouvi-la. Sua linguagem nessa época é o choro, a forma como tem de sinalizar aos pais que precisa de algo ou chamar sua atenção.


Após isso e até o 6º mês, o bebê começa a ficar mais atento aos ruídos e procura movimentar a cabeça na direção do som que está escutando. A criança também passa a reconhecer as mudanças de entonação na voz dos pais, atender pelo nome, emitir sons com padrão e significado.

Entre os 6 e 9 meses, o bebê começa a achar graça em sons musicais e tenta dizer suas primeiras palavras, mesmo que o resultado seja difícil de identificar e decifrar. Ele também já responde bem ao próprio nome e começa a entender alguns conceitos, como “tchau” e “não”. Começam a acenar e resmungam quando contrariadas, além de imitar sons produzidos por adultos e animais.

No primeiro ano de vida a criança forma um vocabulário básico, de poucas palavras, além de passar a responder a comandos simples e a cumprir pequenas ordens se estimulados, como bater palmas e mandar beijos.

Em todos esses momentos, o desenvolvimento da criança deve ser acompanhado de perto por um profissional de saúde, pois atrasos podem significar a necessidade de uma intervenção para garantir o desenvolvimento sadio da criança, e a ausência total ou parcial de estímulos a sons e ruídos deve ser analisada com atenção e cuidado.

Na dúvida procure sempre orientação de um especialista e faça uma avaliação..



Fontes:

- distúrbios da comunicação oral em crianças: http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/448 - http://www.scielo.br/pdf/rcefac/v16n3/1982-0216-rcefac-16-3-0992.pdf




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