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Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC)

por Silmara Fator Canassa, fonoaudióloga


O Transtorno do Processamento Auditivo Central é caracterizado por afetar as vias centrais da audição, ou seja, as áreas do cérebro relacionadas às habilidades auditivas responsáveis por um conjunto de processos que vão da detecção à interpretação das informações sonoras. Na maior parte dos casos, o sistema auditivo periférico (tímpano, ossículos, cóclea e nervo auditivo) encontra-se totalmente preservado. A principal consequência do distúrbio está na dificuldade de processamento das informações captadas pelas vias auditivas. Assim, a pessoa ouvirá claramente a fala humana, mas terá dificuldades em interpretar a mensagem recebida.


As causas do TPAC podem ser variadas e muitas vezes desconhecidas, contudo as mais comuns são de origem genética, otites de repetição, lesões cerebrais por anóxia ou traumatismo craniano, presença de outros distúrbios neurológicos, atraso maturacional das vias auditivas do Sistema Nervoso Central ou por envelhecimento natural do cérebro. Por isso, a maior parte dos diagnósticos é feita em crianças e idosos.


  • Dificuldade de memorização em atividades diárias;

  • Dificuldades acadêmicas para ler e escrever;

  • Fadiga atencional em aulas ou palestras;

  • Troca de letras na fala ou escrita;

  • Demora em compreender o que foi dito;

  • Dificuldades em compreender informações em ambientes ruidosos;

  • Desatenção e distração;

  • Solicita repetição constante da informação;

  • Agitação;

  • Dificuldade para entender conceitos abstratos ou duplo sentido;

  • Dificuldade para executar tarefas que lhe foram solicitadas;

  • Dificuldades com um segundo idioma.


O primeiro passo para o diagnóstico, é a avaliação audiológica. Depois, então, faz-se o exame de avaliação do processamento auditivo central (PAC) para detectar se há desordem. O exame é feito com testes específicos, dentro de uma cabine acústica com fones de ouvidoe dura aproximadamente 60 minutos. Com esse exame, o fonoaudiólogo, especialista em audição, avalia como o cérebro está interpretando as mensagens recebidas, mede a capacidade de conversação do paciente em ambientes ruidosos e mede ainda o nível de alteração e o tipo e local da disfunção no sistema auditivo central. A partir dessas informações muita coisa pode ser feita para ajudar. O tratamento é basicamente o treinamento auditivo com o fonoaudiólogo (especializado em audição e linguagem e processamento auditivo) para treinar as habilidades auditivas que estão alteradas. Em muitos casos o tratamento é multiprofissional, com apoio de psicólogos, psicopedagogos, neuropediatras e otorrinolaringologistas. Dicas para pais e responsáveis de crianças com TPAC :

  • a criança deve ter incentivo para melhorar a autoestima;

  • barulhos e ruídos prejudicam mais ainda a concentração dessas crianças, portanto é importante evitar na hora dos estudos, tanto em casa quanto na escola, espaços com poluição sonora;

  • na escola, é preferível que a criança se sente o mais perto possível do professor nas primeiras cadeiras e se mantenha afastado de portas e janelas para ficar mais protegida dos barulhos e longe de distratores.

  • quando falar com a criança certifique-se de que ela está olhando para o rosto de quem está falando a fim de garantir sua atenção e certificar-se de que realmente entendeu o que lhe foi solicitado.


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