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Fonoaudiologia e Autismo

As crianças com TEA (transtorno do espectro autista) têm dificuldade em estabelecer comunicação. Por isso, a relação entre fonoaudiologia e autismo explica que os profissionais da área podem ser grandes aliados. É o caso da fonoterapia, uma das formas de tratamento de TEA que ajuda muitos pacientes.

Apesar da TEA de ser um diagnóstico médico, a fonoterapia também contribui para o tratamento de sintomas. Ela pode auxiliar, por exemplo, com a dificuldade de se expressar e padrões de repetição de fala.


A dificuldade do diálogo


O fonoaudiólogo pode auxiliar a criança desde o processo diagnóstico, ao identificar precocemente os sinais que podem indicar o risco para o Transtorno do Espectro Autista.

Ela também acrescenta que a identificação não vem só quando a criança começa a falar, já que antes mesmo da emissão verbal, as dificuldades de comunicação apresentadas pelas crianças com TEA podem ser atribuídas à sua inabilidade em se conectar com o interlocutor, sendo tal dificuldade observada na inconsistência ou mesmo na ausência do contato ocular.

Além da dificuldade de manter a conexão, existe o prejuízo na atenção compartilhada. Devido ao padrão restrito e repetitivo de interesses e atividades, a criança tem dificuldade em partilhar dos interesses propostos pelo interlocutor, logo não usufrui da principal função da comunicação, que é tornar ‘algo em comum. Então, mesmo antes do desenvolvimento da fala, é possível notar que as crianças com TEA podem não responder à comunicação não-verbal.

Além de auxiliar no diagnóstico, a relação entre fonoaudiologia e autismo pode fazer parte de um plano de tratamento. É importante envolver as famílias durante o processo, mas é necessário explicar as dificuldades. A explicação às famílias parte primeiramente do reconhecimento das inabilidades apresentadas pela criança começando dos aspectos não verbais, precursores da comunicação verbal – contato ocular e atenção compartilhada. Também é preciso considerar o convívio da criança e explicar a razão das dificuldades dos pais ao interagir com a criança com TEA.

O tratamento deve ser feito de forma gradual e natural, para que seja efetivo e contribua para o aprendizado. Interações forçadas dos cuidadores não são tão efetivas quanto as contextualizadas.


Aprendizado e inclusão


Além das dificuldades em convívio pessoal, as questões que crianças com TEA apresentam com linguagem, podem afetar o desempenho escolar. Como o fator auditivo é parte chave do processo de aprendizado em sala de aula, as dificuldades de manter a atenção prejudicam a captação de informações. Além disso, para socialização, é importante que a criança consiga lidar melhor com a interlocução.

A aliança entre fonoaudiologia e autismo pode ajudar na inclusão, os resultados da intervenção fonoaudiológica estão relacionados à ampliação do contato ocular, da atenção compartilhada, do uso funcional da linguagem, da emissão verbal e do aprimoramento dos aspectos melódicos da fala.



Os objetivos da intervenção fonoaudiológica variam muito; devem ser observadas as características de cada criança. Deve-se ter como objetivo geral o aumento da funcionalidade da comunicação, maior frequência de atos comunicativos intencionais (olhares, gestos); estimular a compreensão e a expressão verbal (vocalização e fala), proporcionando experiências comunicativas e auxiliando na inclusão escolar e na sociedade.

Cada criança responde de uma forma ao tratamento, algumas apresentam bons resultados logo nos primeiros meses de intervenção, outras, no entanto necessitam de um tempo maior de intervenção.


Eis que surge então uma das maiores angustias das famílias: – Meu filho vai falar?


A questão é delicada e deve ser cuidadosamente abordada por equipe interdisciplinar. A fala não é, nem deve ser a única forma de comunicação e expressão da criança, e todos os aspectos do desenvolvimento devem ser considerados (desenvolvimento psíquico, motor e cognitivo, por exemplo).

Hoje, estima-se que entre 20 e 30% de pessoas com autismo desenvolveram a linguagem verbal, quase sempre associada a intervenções e estímulos adequados às necessidades de cada criança.

As crianças no Espectro do Autismo têm dificuldade em perceber os resultados de suas ações comunicativas e acabam tendo disfunções na fala. Não desenvolver a linguagem faz com que a criança não consiga se expressar, informar o que deseja ou precisa, nem alcançar muitos de seus objetivos, prejudicando ainda mais a socialização e a troca com as pessoas. Nesses casos, é muito importante que um profissional especializado seja consultado para o início de um plano de intervenção. Mas, além disso, algumas ações podem auxiliar a estimular o desenvolvimento da linguagem:

Ser comunicativo com a criança, mesmo que não tenha retorno dela. Falar com alta frequência, mas de forma simples, narrando acontecimentos, nomeando objetos, fazendo pedidos à criança, etc. – Neste ponto é muito importante utilizar uma linguagem simples para que a criança consiga relacionar as palavras ao que ela está experenciando. Para isso, deve-se utilizar um nível de complexidade pouco acima da linguagem que a criança possui, ou seja, se ela não fala, deve-se utilizar poucas palavras por vez (uma ou duas), assim ela consegue relacionar o som da palavra ao que está sendo indicado. Se a criança já fala algumas palavras, pode começar a associa-las entre si ou com verbos, e assim por diante.

Estimular também a comunicação não verbal da criança. Para isso, é importante não tentar adivinhar o que ela quer e sim incentiva-la a mostrar o que deseja com um olhar, gesto, som, etc. e então dar imediatamente o resultado que ela espera, para que ela entenda que seu sinal (sua comunicação não verbal) que gerou aquela resposta. Caso ela não emita sinal algum, pode ser realizado um auxílio físico, ajudando-a a fazer um gesto, como apontar, e então fornecendo o resultado, para que ela relacione o gesto à consequência. Nesse sentido, também é possível criar situações que aumentem a oportunidade de comunicação, como oferecer duas opções para que ela indique a que deseja ou entregar algo embrulhado para que precise pedir ajuda para abrir, por exemplo.


Algumas estratégias para facilitar estimular a fala em uma criança autista são:


· usar atividades e tarefas simples do dia a dia como oportunidades para ensinar a criança a comunicar-se, para ensinar a linguagem receptiva e expressiva;

· tornar o processo de ensino divertido, adicionando elementos de interesse da criança, como músicas, jogos;

· usar reforçadores que aumentem a probabilidade de os comportamentos ocorrerem novamente, algo que a criança goste tanto que fará ela se comportar novamente como desejado para obter o reforçador;

· somente dar demandas que a criança possa cumprir, mesmo que seja necessário fornecer ajuda, pois isso faz a criança compreender que palavras significam algo, que se alguém falou ou pediu algo, isso tem um significado;

· não repetir as instruções, pois ao fazer isso a criança poderá achar que ela não precisa cumprir a tarefa na primeira vez que ela for solicitada;

· estimular a curiosidade da criança, colocando itens em caixas, fazendo mistério, contando histórias;

· sempre elogiar e parabenizar a criança pelas tarefas cumpridas para manter a motivação e o envolvimento da criança.

É importante lembrar que a comunicação é fundamental para o ser humano, seja ela verbal ou não verbal, e proporcionar a criança com autismo um ambiente acolhedor é necessário para que possa emergir a intenção comunicativa.


Fontes:


https://www.fonoaudiologia.org.br/cffa

http://www.fonosp.org.br/noticias/1387-artigo-autismo-e-fonoaudiologia

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